quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Autor do mês de novembro - Fernando Pessoa


Biografia

Fernando Pessoa, um dos expoentes máximos do modernismo no século XX, considerava-se a si mesmo um «nacionalista místico».
Nasceu Fernando António Nogueira Pessoa em Lisboa, no dia 13 de junho de 1888.
A infância é passada em Lisboa, alegremente, até à morte do pai em 1893 e do irmão Jorge no ano seguinte. Estes acontecimentos, em conjunto com o facto de sua mãe ter conhecido o cônsul de Portugal em Durban, levam-no a viajar para a África do Sul, onde vive entre 1896 e 1905. A vivência nesse país da Commonwealth teve uma influência decisiva a nível cultural e intelectual, pondo-o em contacto com os grandes autores de língua inglesa.
Regressou a Portugal com 17 anos para frequentar o curso de Letras mas, graças ao seu grande conhecimento da língua inglesa, acabou a trabalhar para diversos escritórios em Lisboa em assuntos de correspondência comercial.
Ficou sobretudo conhecido como grande prosador do modernismo (ou futurismo) em Portugal. Para se expressar, utilizou o seu próprio nome e também alguns heterónimos (personalidades criadas pelo autor, com qualidades e tendências próprias). Entre estes ficaram famosos três: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.
As suas participações literárias espalharam-se por inúmeras publicações, das quais se destacam Athena, Presença, Orpheu, Centauro, Portugal Futurista, Contemporânea, Exílio, A Águia, Gládio. Estas colaborações eram tanto em prosa como em verso.
Teve uma paixão confessa - Ophélia Queirós - com a qual manteve uma relação muitas das vezes distante, se bem que intensa. Mas foi talvez Ophélia a única a conhecer-lhe o lado menos introspetivo e melancólico.
É difícil descrever em poucas linhas o seu percurso intelectual. Este consiste, sobretudo no relato de uma grande viagem de descoberta, à procura de algo divino mas sempre desconhecido. Essa procura foi feita por Pessoa com recurso a todas as armas metafísicas, religiosas, racionalistas, mas sem ter chegado a uma conclusão definitiva, exclamando que todos os caminhos são verdadeiros e que o que é preciso é navegar (no mundo das ideias).
Os últimos anos são vividos em angústia. Foi um profeta que esperava a realização da sua profecia, mas que morreu sem ver sequer o princípio da sua realização.
Fernando Pessoa morre a 30 de novembro de 1935, de uma grave crise hepática provocada por anos de consumo de álcool. Foi a enterrar no Cemitério dos Prazeres mas, em 1988, por ocasião do centenário do seu nascimento, os seus restos mortais foram transladados para o Mosteiro dos Jerónimos, em Belém. Em vida apenas publicou um livro em Português: o poema épico Mensagem, deixando uma vasta obra que ainda hoje não foi completamente analisada e publicada.

Autopsicografia
  
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
que se chama o coração.
       

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