segunda-feira, 4 de julho de 2011

Poema da Semana - Piso a Areia da Praia

Piso a areia da praia

Piso a areia da praia!
Que peso pesam os pés!
Parecem mesmo uma raia
Presa nas marés

Transporto a toalha
Levo comigo o jornal
Lembro-me de jogar a malha
Levo a dor no bornal

Piso a areia da praia!
Vou pela borda da água.
Onda amena que se espraia
Leva contigo a minha mágoa...

Queria de novo ter saúde
Seria novamente tão feliz
Tremer não é virtude
Tremer eu nunca quis

Deito-me!
Penso!
Mesmo deitado no chão
- Mulher! Porque me aturas?!
Não te queria dar razão
Mas és tu que me seguras!

Como esta areia brilhante
A que a praia chamou de sua
Areia que da praia és amante
Oh mar salgado a praia é tua!

Um perfume paira no ar…
A vida a Deus pertence
O sol quente esconde a lua…
A maresia não veio para ficar...
A Parkinson não me vence
Vou continuar a lutar!

Piso a areia da praia
A maresia sofre um revés
A areia parece cambraia
Sacudo a raia dos pés…


Rogério Martins Simões

Biografia

Rogério Martins Simões é natural de Lisboa. Nasceu em 5 de Julho de 1949. Licenciado em Gestão e Bacharel em Contabilidade exerceu funções de Director Financeiro no sector privado e ingressou na Função Pública onde desempenha funções de Técnico Superior Aduaneiro. Escreve poesia desde os 14 anos e teve por mestre, o seu pai, José Augusto Simões. Desde os 14 anos que escreve e rasga poesia tendo adoptado o heterónimo ROMASI. Não se sente amarrado a qualquer estilo ou corrente literária, escreve por puro prazer ou como catarse para afastar os males do corpo e da alma. Em 2004 criou um blog intitulado “POEMAS DE AMOR E DOR” para divulgar os seus novos poemas e alguns antigos. Doente, vendo que a Parkinson tomava conta da alma e do corpo, resolveu parar. Voltou a reactivar o blog e foi assim que sua poesia não foi destruída tendo actualmente cerca de 1200 leitores por dia. Participa em diversas páginas de poesia, e se a doença de Parkinson não se agravar, quer continuar a escrever poesia e regressar à arqueologia, tendo já recebido apoio e solidariedade do seu antigo grupo de arqueólogos. Tem recusado editar em livro a sua poesia pois entende que a poesia é universal. Esta liberdade tem permitido a sua inclusão em jornais, revistas, cadernos e livros de poesia colectivos. Sempre afirmou que é um humilde poeta – todavia um poeta. É o amor e a poesia que o mantém vivo!

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