segunda-feira, 7 de março de 2011

Poema da Semana - As Aldeias

AS ALDEIAS

 Eu gosto das aldeias sossegadas,
Com seu aspecto calmo e pastoril,
Erguidas nas colinas azuladas,
Mais frescas que as manhãs finas de Abril.

Pelas tardes das eiras, como eu gosto
De sentir a sua vida activa e sã!
Vê-las na luz dolente do sol-posto,
E nas suaves tintas da manhã!...

As crianças do campo, ao amoroso
Calor do dia, folgam seminuas
E exala-se um sabor misterioso
Da agreste solidão das suas ruas.

Alegram as paisagens as crianças
Mais cheias de murmúrios de que um ninho;
E elevam-nos às coisas simples, mansas,
Ao fundo, as brancas velas dum moinho.

Pelas noites de Estio, ouvem-se os ralos
zunirem suas notas sibilantes...
E mistura-se o uivar dos cães distantes.


António Duarte Gomes Leal














Biografia
António Duarte Gomes Leal nasceu em Lisboa a 6 de Junho de 1848 morreu no dia 29 de Janeiro de 1921.
Foi um poeta e crítico literário português. Filho natural de João António Gomes Leal (m. 1876), funcionário da Alfândega, e de Henriqueta Fernandina Monteiro Alves Cabral Leal. Frequentou o Curso Superior de Letras, mas não o concluiu, empregando-se como escrevente de um notário de Lisboa. Durante a sua juventude assumiu pose de poeta boémio, satânico e janota, mas com a morte da sua mãe, em 1910, caiu na pobreza e converteu-se ao catolicismo. Vivia da caridade alheia, chegando a passar fome e a dormir ao relento, em bancos de jardim, como um vagabundo, tendo uma vez sido brutalmente agredido. No final da vida Teixeira de Pascoes e outros escritores lançaram um apelo público para que o Estado lhe atribuísse uma pensão, o que foi conseguido, apesar de diminuta. Foi um dos fundadores do jornal "O Espectro de Juvenal" (1872)e do jornal “ O Século “(1881), tendo colaborado também na Gazeta de Portugal, Revolução de Setembro e Diário de Notícias. A sua obra insere-se nas correntes ultra-romântica, parnasiana, simbolista e decadentista.

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