segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Poema da Semana - O testamento dos namorados

O Testamento dos Namorados

Escolhamos as coisas mais inúteis
o verde água o rumor das frutas
e partamos como quem sai
ao domingo naturalmente.

Deixemos entretanto o sinal
de ter existido carnalmente:
da tua força um castiçal
da minha fragilidade um pente.

Esse hieróglifo essa lousa
deixemos para que uma criança
a encontre como quem ousa
um novo passo de dança.

Natália Correia














Biografia
Natália de Oliveira Correia nasceu na Fajã de Baixo, ilha de São Miguel, Açores, em 13/09/1923 e morreu em Lisboa em 16/03/1993. No que diz respeito à sua vida pessoal, Natália casa-se quatro vezes. A nível político, em 1979, com apenas os estudos secundários (feitos em Lisboa), Natália torna-se deputada na Assembleia da República. No ano seguinte foi eleita nas listas do Partido Popular Democrático, onde se tornou independente. A nossa escritora foi também fundadora, em 1992, junto a José Saramago, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares
Rodrigues. A literatura foi uma ferramenta importante na medida em que sendo uma activista social açoriana teve um papel activo na oposição ao Estado Novo. Como escritora Natália Correia não tem um estilo literário definido. Nele podemos encontrar, inicialmente, o surrealismo e mais tarde o romantismo. Esta iniciou-se na literatura com a publicação de uma obra destinada ao público infantil, mas, mais tarde afirma-se como poetisa. Contudo podemos ver Natália não só como poetisa mas também como dramaturga, romancista, ensaísta, tradutora, jornalista, guionista e editora, onde foi responsável pela coordenação da Editora Arcádia. Em 1966, foi condenada a três anos de prisão, com pena suspensa, pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica. Uma obra que foi considerada como uma ofensa aos costumes. Foi ainda processada pela responsabilidade editorial das Novas Cartas
Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta. Contudo o excelente trabalho da escritora foi reflectido em 1991 no Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro Sonetos Românticos. No mesmo ano foi-lhe atribuída a Ordem da Liberdade (era já detentora da Ordem de Santiago.)

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